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A Asma não é uma doença linear

A Asma não é uma doença linear

  • 30 de Março, 2024
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Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a Asma não é uma doença simples e linear, nem é diagnosticada ou definida facilmente. A verdade é que, de modo um pouco caricato, a Asma está subdiagnosticada mas também erradamente diagnosticada em alguns casos. Mas este assunto é para outra altura.

A Asma é uma doença respiratória crónica e complexa que se manifesta de várias formas e pode ter diferentes “roupagens”. Esta diversidade na apresentação da doença reflete a complexidade dos factores que a causam/agravam, tornando fundamental a educação de doentes e todos profissionais na área da saúde sobre as nuances de cada forma desta doença.

Agora que entramos na Primavera, uma altura em que a preocupação com a doença tem um peso um pouco maior na população, vamos perceber o motivo porque isso acontece, mas também porque é um conceito demasiado redutor. A Asma, como entidade global, pode estar presente o ano inteiro.

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Asma Alérgica

A Asma alérgica, o tipo mais frequente, geralmente inicia-se na infância e é desencadeada por alergénios presentes no ambiente como pólen, ácaros, mofo/bolor, pelos de animais, etc. Estes provocam uma resposta imune exagerada no organismo, levando à inflamação das vias aéreas inferiores (brônquios) e aos sintomas típicos dos doentes asmáticos, mas com potencial extensão para as vias aéreas superiores (por exemplo, nariz). 

Dependente da origem do alergénio, pode estar associada a algumas estações do ano, como a Primavera. Mas não é exclusivo. Por exemplo, o contacto com o cão ou o gato (se for este o “gatilho” para a doença) pode provocar sintomas sempre que existir contacto, e não está dependente do mês em que isso ocorre.

A sua prevenção foca-se em minimizar a exposição a estes alergénios conhecidos, enquanto o tratamento pode incluir medicamentos que controlam a inflamação e aliviam os sintomas, maioritariamente administrados através de um inalador. É o tipo de Asma que pode ser melhor controlado através de vacinas dirigidas para os fatores conhecidos que provocam a inflamação referida.

 

Asma Não Alérgica

Diferente da anterior, a Asma não alérgica ocorre em pessoas sem essa sensibilidade a alérgenios comuns, podendo ser desencadeada por infecções respiratórias, exercício, ar frio, stress ou ansiedade, poluição do ar ou o fumo do tabaco, entre outros.

Este tipo é mais frequente quando a doente se inicia na idade adulta, o que nos mostra que existem outros fatores, além das alergias, que são importantes no desenvolvimento da doença.

O tratamento geralmente envolve evitar os fatores de agravamento conhecidos e/ou o uso de medicamentos semelhantes aos usados na Asma alérgica.

 

Asma de Esforço ou Induzida pelo Exercício

A Asma induzida por exercício é desencadeada pela atividade física, que pode causar o arrefecimento e a desidratação das vias aéreas, devido a durante o esforço a respiração ser mais rápida e, muitas vezes, bucal. Estas mudanças nas vias aéreas podem provocar o estreitamento dos brônquios (broncoconstrição), resultando nos sintomas típicos da Asma. 

Este tipo afeta tanto as pessoas com diagnóstico conhecido de Asma quanto as que não têm histórico da doença, podendo ocorrer em alguns atletas.

A sua gestão inclui a realização de um aquecimento completo antes do exercício e, em alguns casos, o uso de medicação broncodilatadora preventiva.

 

Asma Ocupacional

A Asma ocupacional e a Asma agravada pela exposição são dois conceitos distintos relacionados ao modo como o ambiente de trabalho pode afetar as pessoas com Asma. A Asma ocupacional ocorre quando a exposição a certas substâncias no ambiente no local de trabalho leva ao desenvolvimento de Asma. Isto pode ser devido a uma variedade de agentes, incluindo produtos químicos, poeira, gases ou fumos metálicos. O diagnóstico geralmente requer a correlação entre o início dos sintomas e a exposição ocupacional, e o tratamento pode envolver, além das abordagens convencionais para Asma, a remoção do indivíduo da exposição ao agente causador.

Por outro lado, a Asma agravada pela exposição no trabalho descreve os casos em que indivíduos já diagnosticados com Asma veem seus sintomas piorarem devido à exposição a irritantes ou alérgenios presentes no local de trabalho. Essa exposição não origina um tipo diferente de Asma, mas sim agrava a doença já existente.

O controlo destes casos é focado no controlo dos sintomas e na tentativa de reduzir a exposição aos fatores desencadeantes.

 

Asma Induzida por Aspirina

Algumas pessoas apresentam uma reacção adversa à toma de aspirina ou outros anti-inflamatórios não esteróides, desencadeando os sintomas habituais da doença. 

 

Asma de Tosse Variante

Esta é caracterizada principalmente por uma tosse seca e persistente, sem a presença típica de sibilância. Este tipo pode ser desafiante para ser diagnosticado. O tratamento geralmente envolve os medicamentos habituais para Asma, como broncodilatadores e corticosteroides inalados, para controlar a inflamação e prevenir os episódios de tosse.

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A importância de tentar saber mais do que apenas catalogar a pessoa como “Asmática”

Cada tipo de Asma apresenta dificuldades diagnósticas diferentes e esquemas de tratamento com algumas particularidades, pelo que se ressalva a importância de uma abordagem personalizada no diagnóstico e no tratamento. 

O diagnóstico preciso e as estratégias de gestão da doença adaptadas a cada pessoa são fundamentais para se conseguir optimizar o controlo da doença e minimizar o seu impacto na vida diária das pessoas com Asma. 

Nos dias de hoje, a Asma não tem de ser vista de forma muito negativa. O tratamento adequado e o cumprimento com as medidas gerais recomendadas constumam garantir uma vida sem limitações para a maioria dos doentes.

Para além disso, a investigação e os novos tipos de tratamentos para a Asma continuam a oferecer esperança em melhorarmos e facilitamos,de um modo significativo, a gestão e a vivência com esta doença.

Mas só sabendo exatamente o que causou a doença, é que conseguimos determinar o modo de acção que irá obter os melhores resultados.

 


Para saber mais


  1. National Heart, Lung, and Blood Institute (NHLBI). “Asthma”.
  2. European Respiratory Society (ERS). “European Lung White Book: Respiratory Health and Disease in Europe”

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