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A Tosse Convulsa – um tema atual

A Tosse Convulsa – um tema atual

  • 13 de Maio, 2024
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A Bordetella pertussis é uma bactéria que está atualmente nas primeiras páginas de muitos jornais.
Esta bactéria requer meios especiais para cultura, e causa uma doença infecciosa muito transmissível. A introdução da vacina no final da década de 1940 levou a um declínio dramático na incidência da Tosse Convulsa; no entanto, o número de casos notificados tem aumentado constantemente desde a década de 1970. As vacinas acelulares mais recentes parecem ser menos eficazes do que as vacinas de células inteiras utilizadas anteriormente.
Os adolescentes e adultos com tosse convulsa não diagnosticada representam um reservatório de infeção para bebés e crianças, nos quais a infecção está associada a uma morbilidade e mortalidade substancialmente mais elevadas.

 

Como se transmite

O período de incubação desta bactéria é normalmente de uma semana, mas pode durar três semanas ou mais.
A B. pertussis é altamente contagiosa e é transmitida através de gotículas respiratórias em aerossol. Após a inalação, o organismo adere às células epiteliais respiratórias ciliadas da via respiratória superior e da nasofaringe, causando lesão localmente e iniciando o processo da doença.

 

A doença

A infecção em indivíduos sem imunidade é caracterizada por três fases: a fase catarral, a fase paroxística e a fase de convalescença.
Os adolescentes ou adultos com história de infecção prévia ou imunidade induzida por vacina muitas vezes não manifestam o quadro clínico clássico da Tosse Consulsa. Nestes casos, o único sintoma pode ser uma tosse prolongada. Algumas infecções podem ser assintomáticas.
 
A definição de caso clínico de Tosse Convulsa defendida pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos e pela Organização Mundial da Saúde é uma tosse que dura pelo menos duas semanas sem causa clara e um dos seguintes estados clínicos:
  • Tosse paroxistica
  • Som agudo na inspiração após ataque de tosse dificil de controlar
  • Vómito após acesso de tosse
 
No contexto de um surto ou de contato próximo conhecido com um caso confirmado de Tosse Convulsa, a presença de tosse com duração ≥2 semanas é suficiente para o diagnóstico clínico (mesmo na ausência de outros sintomas).
 
A escolha do teste diagnóstico correcto depende até certo ponto da duração da tosse :
  • A Cultura e a pesquisa PCR para Bordetella pertussis são apropriadas para doentes com tosse de até quatro semanas; a sensibilidade da cultura é maior durante as primeiras duas semanas da doença.
  • Para pessoas com mais de quatro semanas de tosse, apenas a sorologia é útil, mas a falta de um teste padronizado e amplamente disponível limita a sua utilidade.

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O tratamento da infeção

A principal razão para o tratamento com antibióticos é reduzir a transmissão da doença para outras pessoas, particularmente para aqueles em risco de doença mais grave (por exemplo, recém-nascidos, doentes imunocomprometidos).
 
As indicações para tratamento com antibióticos variam de acordo com a duração da doença, gravidez e fatores de risco para aumento da morbimortalidade:
  • Para tosse com duração <3 semanas, geralmente está indicado tratamento com antibióticos – este é o período de maior risco de transmissão.
  • Para tosse com duração ≥3 semanas, mas <6 semanas, os antibióticos são apropriados para alguns grupos de doentes. Para a maioria das pessoas que apresentam tosse com duração ≥3 semanas, muitas vezes não se trata rotineiramente com antibióticos porque a tosse persistente está mais provavelmente relacionada aos danos nas células das vias aéreas, do que a presença ativa de infecção.

As excepções incluem:

  • Mulheres grávidas: A disseminação da Bordetella pertussis foi descrita até seis semanas após o início da doença, e o tratamento é administrado para prevenir a transmissão aos recém-nascidos.
  • Pessoas com risco de doença grave – Para adolescentes ou adultos que têm doença pulmonar crónica (por exemplo, asma ou doença pulmonar obstrutiva crónica), patologia associada a imunidade deprimida, ou que têm ≥65 anos de idade, habitualmente sugere-se terapia antibiótica para aqueles que têm <6 semanas desde o início da tosse. A morbmortalidade relacionada com a Tosse Consulva parece ser maior nestes subgrupos e considera-se que o tratamento é preferivel, apesar dos benefícios algo incertos.
Pode ser ponderado tratamento dirigido para controlo da tosse, mas deve ser ponderado caso a caso.

 

Tratamento preventivo

A literatura atual sugere que algumas pessoas expostas devem realizar profilaxia antibiótica pós-exposição, nomeadamente para os seguintes indivíduos:
  • Contatos com conviventes com Tosse Convulsa
  • Indivíduos que tiveram contato próximo com uma pessoa com Tosse Convulsa e estão em risco de contrair uma infeção mais grave (por exemplo, bebés, mulheres no terceiro trimestre de gravidez e pessoas com doenças crónica ou imunossupressão)
  • Indivíduos (incluindo profissionais de saúde) que tiveram contato próximo com uma pessoa com Tosse Convulsa e têm contato próximo com indivíduos em risco de doença grave.
 
O regime de profilaxia é igual ao regime de tratamento. A vacinação prévia não deve ser considerada suficientemente protetora para eliminar a necessidade deste tratamento preventivo.

 

Isolamento

As pessoas com Tosse Convulsa devem evitar contato com pessoas que tenham risco de doença grave até que tenham completado pelo menos cinco dias de tratamentio com antibiótico, ou que tenham passado pelo menos seis semanas desde o inicio da tosse.

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